


Introdução
A asma é uma patologia respiratória com uma longa existência na história da humanidade que, no contexto da vida moderna, tem vindo a apresentar uma prevalência crescente. Apesar da evolução dos conhecimentos médicos, continua a não existir um tratamento que garanta a sua cura.
Hoje, a alimentação e o ar que respiramos são de pior qualidade, dois fatores que podem potenciar o desenvolvimento de alergias e agravar os quadros respiratórios, tornando a asma mais frequente, persistente e difícil de controlar. Ao mesmo tempo, acumulam-se fatores como o stress, o cansaço e o repouso insuficiente, o que leva a desequilíbrios energéticos que fragilizam os sistemas respiratório e imunitário, o que proporciona o terreno ideal para o aparecimento de quadros respiratórios crónicos, como a asma. Estes tendem a persistir e, na ausência de uma intervenção profunda e estruturada, a agravar-se progressivamente ao longo do tempo, o que compromete significativamente a qualidade de vida do doente.
Conceitos energéticos associados à respiração
Na medicina chinesa, o Pulmão é considerado o órgão responsável pela relação direta entre o organismo e o meio exterior. É através dele que se processa a respiração, permitindo captar o Qi do ar, que é depois distribuído por todo o corpo. Por isso, diz-se que “o Pulmão governa o Qi”, regulando o movimento de difusão e de descida da energia do ar até ao Rim, que a retém e a “ancora” no organismo em forma de energia vital. Assim, uma respiração adequada contribui para um Qi mais robusto e, consequentemente, para uma maior vitalidade, o que se verifica quando existe uma respiração livre e equilibrada.
O nariz é a abertura do Pulmão para o exterior, sendo fundamental para filtrar, aquecer e regular o ar inspirado. Uma respiração adequada, feita pelo nariz e de forma profunda, é essencial para se ter um Qi do Pulmão robusto. Pelo contrário, uma respiração feita pela boca enfraquece o Qi deste órgão, deixando o Pulmão mais suscetível aos agentes patógenos ou a atentados de Vento-Frio ou Vento-Calor-Secura externos, o que pode levar a uma patologia aguda respiratória, por exemplo.
A asma para a medicina chinesa
Na medicina chinesa, a asma não é abordada como uma mera doença respiratória, é vista como muito mais do que isso. Embora a asma se manifeste com o contato pulmonar com o meio exterior, ela é a expressão de uma desarmonia do organismo que se manifesta no sistema respiratório.
Claro que, nesta patologia respiratória, o Pulmão é a peça central, mas outros órgãos energéticos estão implicados, interferindo com o equilíbrio energético deste órgão, o que desencadeia desta forma a crise de asma.
Os diferentes tipos de asma
A asma pode ser enquadrada, de forma geral, em dois grandes padrões clínicos de acordo com o desequilíbrio energético que afeta o Pulmão:
- Asma por plenitude, que acontece quando há o bloqueio do Qi respiratório.
Os principais fatores implicados neste quadro energético são Vento-Frio-Humidade ou Vento-Calor-Secura externos (onde se inclui os alérgenos) ou por desequilíbrio do Qi do Fígado (Vento/Yang do Fígado), que perturba o Qi do Pulmão, como acontece em situações de stress ou quando surgem emoções intensas como a irritabilidade, por exemplo.
Neste tipo de asma pode também incluir-se o quadro associado ao excesso de Humidade-Fleuma que se acumula no Pulmão e dificulta a respiração, resultante de uma deficiência do Qi do Baço-Pâncreas, órgão responsável pela transformação e controlo da humidade e secreções no organismo.
- Asma por vazio, que surge quando há um deficit do Qi do Pulmão, podendo estar a ele associado um deficit do Qi do Rim, ou mesmo ser consequência deste último. Este tipo de asma requer normalmente um tratamento de medicina chinesa mais prolongado do que a asma por plenitude.
Como tratamos a asma
O nosso tratamento da asma procura, mais do que controlar os sintomas normalmente associados à crise de asma (falta de ar, pieira, tosse, etc.), tratar a causa energética que está na génese da asma, para que esta possa realmente apresentar melhoras reais e duradouras. Assim, é necessário:
- identificar o padrão energético que está na génese da asma e tratá-lo.
- equilibrar a Wei Qi (sistema imunitário). Veja o artigo “Alergia, não há que temer!”, onde explicamos a importância de se ter um sistema imunitário em harmonia para melhor reverter as doenças alérgicas.
- harmonizar o organismo como um todo, incluindo o Shen (mente e emoções).
Este tratamento é sempre adaptado a cada paciente e ao seu padrão energético específico. Habitualmente recorremos a:
- acupuntura;
- fitoterapia chinesa;
e também a recomendações ligadas a:
- dietética chinesa;
- higiene de vida;
- técnicas complementares como Tui Na ou exercícios energéticos como Qi Gong.
Desta forma, criam-se condições para uma progressiva diminuição do quadro alérgico e uma melhoria da função respiratória, com uma redução gradual da frequência e intensidade das crises, podendo estas, em alguns casos, deixar mesmo de ocorrer na sua totalidade, dependendo das características específicas de cada caso clínico.
Recurso a laser na asma infantil
Habitualmente recebemos e tratamos muitos casos de asma infantil, desde bebés a adolescentes. Para maior conforto destes pacientes, recorremos ao laser de baixa intensidade, específico para acupuntura, em substituição das agulhas tradicionais. Este método é particularmente útil no tratamento pediátrico (podendo também ser utilizado em adultos, quando necessário), pela sua natureza não invasiva e bem tolerada, permitindo estimular os pontos de acupuntura sem qualquer tipo de desconforto. Desta forma, há a adesão completa à terapêutica, sem medo ou dor, o que vai permitir que se faça adequadamente o tratamento de acupuntura no jovem paciente.
Sinergia perfeita com a medicina convencional
Outro aspeto relevante do nosso tratamento da asma é a sua complementaridade com a medicina convencional. Enquanto a medicina chinesa procura atuar sobre a causa primária subjacente à doença, a medicina convencional centra-se sobretudo no controlo da inflamação e dos sintomas, recorrendo ao uso de broncodilatadores e anti-inflamatórios, essenciais na gestão das crises e na estabilização da doença, podendo, em alguns casos, incluir estratégias de dessensibilização da componente alérgica.
Contudo, isto nem sempre é suficiente ou o ideal, seja porque a asma se mantém descontrolada, seja pelo recurso elevado à medicação. Nestes casos, pode ser particularmente útil recorrer, em complementaridade, a um tratamento de base de medicina chinesa (como o nosso).
Ao atuarmos em paralelo com a medicina convencional, sem nunca interferirmos com a terapêutica medicamentosa prescrita, a nossa abordagem pode contribuir naturalmente para uma melhor estabilização do quadro clínico e, em alguns casos, permitir mesmo a remissão clínica da asma.
Conclusão
Num mundo cada vez mais exigente para o sistema respiratório, torna-se essencial uma abordagem que vá além do alívio imediato dos sintomas, na esperança futura que a sorte acabe por brindar a pessoa com a reversão espontânea da asma.
É aqui que o nosso tratamento de medicina chinesa e acupuntura pode fazer a diferença: mais do que controlar os sintomas, atua sobre a causa da doença, permitindo restaurar o equilíbrio interno e criar as condições para que as crises de asma deixem de ocorrer, numa janela temporal de tratamento proporcional à gravidade do caso a tratar. Além do mais, produz resultados tanto na população pediátrica como na adulta, qualquer que seja o tipo de asma, podendo ser utilizado com toda a segurança em complementaridade com a terapêutica convencional instituída.
De acordo com a nossa experiência de 4 décadas no tratamento de alergias respiratórias, constatámos que a asma pode melhorar significativamente ou mesmo entrar em remissão, num processo que é totalmente natural, consistente e fisiológico. Por isso, podemos afirmar que este tratamento pode proporcionar ao asmático mais bem-estar e qualidade de vida que pareciam que não era possível voltar a ter.
Se desejar conhecer casos reais de pessoas tratadas nas nossas clínicas para a asma, siga os links abaixo:
https://www.clinicaspedrochoy.com/testemunhos/asma-brigida-dias/